Angola entre os países africanos com pior taxa de crescimento e inflação elevada em 2024

Angola faz parte do grupo de países que registarão, em 2024, taxas de crescimento mais baixas no continente africano, combinadas com elevados níveis de inflação, de acordo com o mais recente relatório sobre o Desempenho e Perspectivas Macroeconómicas Africanas publicado pelo Banco de Desenvolvimento Africano (BAD).

Com base nas previsões, a economia angolana deverá crescer 3,4%, superando apenas 10 países que deverão ficar-se com taxas de crescimento abaixo dos 3%, como são os casos do Sudão, com 0,2%; São Tomé e Príncipe com 1,3%, Tunísia e Lesoto ambos com 2,6%.

Especialistas do BAD preveem igualmente que a inflação se mantenha nos dois dígitos, com uma taxa de 19,3%. Caso as previsões de concretizem, Angola será a sexta economia em que os preços terão galgado mais terreno no continente, ficando apenas atrás do Sudão com 119,8%, Egipto 27,7%, Serra Leoa 26,3%, Nigéria com 20,4% e Malawi do com 21,0%.

As contas apontam assim para que Angola fique de fora dos 11 países do continente que fazem parte das 20 economias de crescimento mais rápido do mundo em 2024. O crescimento real do PIB do continente africano deverá atingir uma média de 3,8% e 4,2% em 2024 e 2025. Os países que vão impulsionar o continente, com um forte desempenho económico, são o Níger (com 11,2%), o Senegal (8,2%), a Líbia (7,9%), o Ruanda (7,2%), a Costa do Marfim (6,8%), a Etiópia (6,7%), o Benim (6,4%), o Djibuti (6,2%), a Tanzânia (6,1%), o Togo (6%) e o Uganda (6%).

BAD, o mais optimista

Entre as instituições financeiras que anteveem o crescimento da actividade económica de Angola no presente exercício, a do Banco de Desenvolvimento Africano é a mais optimista com uma taxa de 3,4%. Contrariamente, o Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica (Ceic) prevê um crescimento de 2,7%, muito próximo das previsões do Banco Mundial que reviu em baixa o avanço do PIB para os 2,8%, face aos anteriores 3,3% estimados em Junho de 2023.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) tem agendada a actualização das previsões de crescimento económico do país para Março, números que, à partida, deverão estar abaixo dos 3,1% previstos em Setembro de 2023.  Por sua vez, a seguradora francesa Coface, na semana passada, conjecturou um “crescimento moderado” da actividade económica do país em 2024.

 

Produtores de petróleo crescem mais do que os dependentes do turismo 

A instituição liderada por Akinwumi Adesina antecipa que o aumento do preço do combustível, com a retirada dos subsídios, assim como de outras commodities, processos influenciados por reformas, incluindo a desvalorização das moedas locais, pode resultar em conflitos e violência internos em alguns países do continente. Dá o exemplo do que aconteceu no ano passado em Angola, Etiópia, Quénia e Nigéria, em que a remoção dos subsídios aos combustíveis resultou na “agitação social impulsionada pela oposição à política governamental”.

Apesar de os maiores produtores de petróleo assinalarem baixas nas suas economias no fecho do ano em curso (Angola com 3,4% e Nigéria com 3,3%), o BAD antecipa que o crescimento médio nos países exportadores de petróleo “deverá permanecer estável” entre 2023 e 2025, com uma ligeira melhoria de uma estimativa de 3,4% em 2023 para 3,6% em 2024 e 3,9% em 2025.

“Prevê-se um crescimento estável, apesar dos esforços da OPEP nas metas de produção mais baixas para 2024 para duas das regiões africanas grandes exportadores de petróleo, Nigéria e Angola, este último dos quais anunciou a retirada da sua adesão do bloco devido a divergências sobre cortes de produção. Os resultados de crescimento esperados para o grupo de países serão apoiados pelos elevados preços do petróleo bruto e elevado investimento destinado a colocar em funcionamento novos projectos que possam aumentar a produção de hidrocarbonetos (particularmente no Congo e no Gabão). Apesar de um impulso global agressivo para reduzir o investimento em combustíveis fósseis combustíveis, as crescentes necessidades energéticas para impulsionar o desenvolvimento e a transformação de África poderão exigir um aumento de fluxos de capital para os países produtores de petróleo de África”, prevê.

Já as economias dependentes do turismo poderão registar uma moderação no crescimento. Com uma estimativa de 6% em 2023, recuam para 4,7% em 2024 e 3,8% em 2025. Os especialistas BAD entendem que a desaceleração projectada do crescimento para o grupo de países reflecte a “estabilização dos números do turismo em níveis de tendência, bem como tensões e desafios económicos, como a elevada inflação e uma produção global mais fraca, o que irá abrandar procura de viagens nos principais mercados emissores de turismo, como a China, Europa e Estados Unidos.”

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