Em cada cinco novos negócios criados em Angola, três encerram em apenas um ano

Problemas na obtenção de financiamento, falta de rentabilidade do negócio e motivos pessoais ou familiares estão entre as principais causas que fazem ‘morrer’ negócios à nascença. Em decorrência disso, Angola tem a maior taxa de encerramento de empresas iniciantes no continente.

O país tem a pior taxa de cessação de negócios em África, fixada em 2022 em 30%, apesar de ter a maior taxa de actividade de negócios iniciantes, de 53%, o que significa que por “cada cinco novos negócios que surgem em Angola, num período de 12 meses, três encerram”, indica o Estudo Global sobre o Empreendedorismo (GEM) realizado pela Sociedade Portuguesa de Inovação, Centro de Estudos e Investigação Científica da Universidade Católica de Angola (Ceic) e o Banco de Fomento Angola (BFA) e publicado recentemente, em Luanda.

A evolução da taxa de cessação de negócios em Angola ao longo dos anos apresenta um comportamento crescente e ao mesmo tempo uma diminuição ligeira. Verifica-se que, em 2018, a taxa de encerramento foi de 26%, aumentando para 39% em 2020 e diminuindo novamente para 30% em 2022.

Para os especialistas responsáveis pelo estudo, trata-se de um cenário de “encerramento de negócios relativamente elevado.” Quando analisadas as taxas de encerramento de outros países do continente, é possível observar que nenhum país se aproxima da “avultada taxa” registada no mercado angolano.

O Egipto e o Togo apresentam igual taxa de encerramento de 10%, a da Tunísia e a África do Sul é de 9% e 5%, respectivamente. O Marrocos é único cuja taxa de encerramento de negócios é igual à taxa de actividade early-stage, o que quer dizer que a taxa de renovação empresarial deste país é estável.

As principais razões para os encerramentos dos negócios, segundo os proprietários e gestores inquiridos, têm que ver com problemas em obter financiamento, o facto de o negócio não ser rentável e motivos pessoais ou familiares.

Ainda assim, os inquiridos afastam as políticas governamentais, fiscais ou burocracia entre os motivos da cessação. “Em contraste, todos os outros países africanos aqui analisados apresentam alguma percentagem de empreendedores que encerraram o seu negócio devido às políticas governamentais/ fiscais ou burocracia, sendo a maior taxa a do Egipto (13,2%)”, dá conta o estudo.

O país apresenta também uma discrepância entre a taxa de empreendedorismo iniciante, estimada em 53,4%, e a taxa de empreendedorismo de negócios estabelecidos na ordem de 14,0%. Pelo que, de acordo com o GEM, Angola enfrenta desafios para garantir estabilidade e crescimento dos novos negócios, ou seja, transformar negócios iniciantes e novos empreendimentos em negócios estabelecidos.

Em meio a um contexto adverso para quem inicia um negócio, Angola destaca-se, entre 50 economias, com uma percentagem superior a 50% de actividade empreendedora iniciante das mulheres, sendo que o segundo país do ranking é a Guatemala, com 28%. E as motivações para criar um negócio prendem-se, na generalidade, com o desejo de “ganhar a vida porque a oferta de emprego é escassa”, continuar uma tradição familiar e construir riqueza ou obter rendimentos muito elevados.

Relativamente à internacionalização, os negócios iniciantes angolanos têm a percentagem mais baixa de facturação proveniente do estrangeiro, embora sinalizem tendência de internacionalização. “É possível observar que existe uma tendência de aumento na taxa de orientação internacional dos negócios earlystage em Angola com mais de 25% de facturação internacional ao longo dos anos, passando de 1,8% em 2018 para 2,4% em 2022, apesar do decréscimo em 2020 para 1,2%. Isto mostra que mais empresas estão, em 2022, a apostar na sua internacionalização relativamente aos anos anteriores”, conclui o estudo.

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