E se o ‘novo Messi’, a ‘next big thing’, for um lateral-esquerdo?

O título pode parecer agora um exagero (e talvez o seja mesmo), mas atualmente na Argentina não há ninguém tão novo a influenciar tanto o jogo como Valentín Barco, o jovem lateral-esquerdo de 19 do Boca Juniors. E é daqueles que não se pode catalogar numa posição, porque é sobretudo mais do que um lateral, um médio ou um extremo. É craque. Há quem o compare ao veterano brasileiro Marcelo, hoje no Fluminense, por exemplo. Tem um perfil semelhante. E joga onde lhe pedem para jogar. Que é um pouco por todo o lado.

Ruivo, de baixo estatura (1,70 metros), destaca-se pela personalidade e energia em campo. São 90 minutos à procura de espaço para ocupá-lo ou tapá-lo, seja missão ofensiva ou defensiva. O cruzamento tê-lo-á tornado mais frequentemente lateral – na formação jogava como extremo –, tal a capacidade com que, a partir de qualquer posição no campo, chicoteia a bola, que sai tensa, e objetiva, a apontar ao desvio, seja por avançados mais posicionais ou por quem aí apareça numa segunda vaga. No entanto, o controlo e a técnica apurada juntam-se à capacidade de drible e não é raro sair de apertos com uma ou duas fintas seguidas, ou até com um truque tirado de debaixo do chapéu. 

Tem inventário de talento para tal, como já o mostrou inúmeras vezes. Tal como Marcelo, precisamente. O 19 da camisola por vezes confunde-se mesmo com um… 10. É, por isso, que ultimamente até tem jogado mais à frente como extremo ou até no meio, enquanto médio organizador. Haverá certamente alguém em Manchester, com sotaque espanhol, a tirar notas. Apontem também: a cláusula poderá parecer em breve uma pechincha, são 10 milhões de euros.

Se, por um lado, se apresenta veloz, resistente ao choque e à pressão (embora com margem de progressão, tal como o jogo aéreo), por outro a agressividade, capacidade de desarme, inteligência posicional e mudança de foco para o momento defensivo, algo que não é nada comum em quem nasceu para atacar, completam-no. Tem ainda boa tomada de decisão, e de definição no passe e no remate. 

É tudo o que um lateral moderno necessita – sobretudo se o seu treinador pretender forte impacto ofensivo, com chegada para cruzamentos, ‘overlaps’ e ‘underlaps’, ou seja, sobreposições ao extremo por fora e por dentro; e obviamente transições fortes –, porém, com argumentos, como referido anteriormente, para ser um médio de construção ou extremo de grande qualidade. Mesmo alternando durante os encontros.

A grande exibição diante do Palmeiras de Abel Ferreira na primeira mão da meia-final da Taça dos Libertadores não passou despercebida a ninguém. Aí pôde mostrar quase todas as suas características:

om o já noticiado interesse do Manchester City de Pep Guardiola e do Brighton de Roberto De Zerbi, dificilmente os clubes portugueses chegarão a tempo, mas nunca se sabe. É um lateral moderno para uma equipa moderna, sobretudo se for de alta rotação, ainda mais com uma arrogância positiva muito interessante para alguém tão novo. A seleção argentina, entretanto, pode ter em mãos um novo lateral de classe mundial desde o abandono de Javier Zanetti. Se os próximos passos continuarem a ser firmes. 
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